Registros de câmara hiperbárica: o que anotar em cada sessão
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Uma sessão de câmara acontece rápido e, muitas vezes, sob pressão nos dois sentidos. O registro precisa ser escrito enquanto ela acontece, porque ninguém lembra corretamente os horários das paradas duas horas depois. Este guia mostra o que documentar em cada sessão, por quê, e quais fontes publicadas definem as expectativas.
Escopo. Este artigo trata apenas de registros. Ele não descreve, não compara e não recomenda tratamentos nem tabelas de tratamento. Os tratamentos são escolhidos e conduzidos por pessoal médico e hiperbárico qualificado, de acordo com o protocolo que se aplica à sua operação. O registro da câmara documenta o que essas pessoas determinaram e o que aconteceu.
O que dizem as fontes publicadas
Nenhuma regra única cobre todas as câmaras, mas as principais fontes públicas concordam no básico.
U.S. Navy Diving Manual, Revisão 7 (§5-5). Os pontos abaixo vêm do texto original da Revisão 7 (1º de dezembro de 2016). O NAVSEA publicou a Change A da Revisão 7 em abril de 2018, então confira a edição atual antes de confiar na redação exata. A Marinha dos EUA chama o Recompression Chamber Log (registro da câmara de recompressão) de “um registro legal dos procedimentos e eventos de todo o mergulho” (tradução nossa; original: “a legal record of procedures and events for an entire dive”). Os requisitos dela:
- O registro é feito em tempo real, como uma narrativa legível.
- O supervisor de mergulho (Diving Supervisor), o Master Diver ou o Diving Officer o revisa e assina diariamente ou no fim do seu turno de serviço.
- Quando um tratamento termina, o Diving Medical Officer (médico de mergulho) presente ou o representante médico mais graduado deveria acrescentar um lançamento de resumo antes das assinaturas de encerramento.
- O registro não pode ser de folhas soltas.
- Os lançamentos e as correções seguem a prática padrão da Marinha. Os exemplos do manual são o erro riscado com uma única linha e rubricado, e os lançamentos tardios.
- Os registros são guardados por três anos após a data do mergulho.
Os itens mínimos listados incluem:
- Data e finalidade do mergulho
- Quem estava dentro da câmara e quem atuou como auxiliar
- Os horários principais da sessão
- Horário de início e de fim do oxigênio
- Mudanças nos sintomas
- A temperatura interna da câmara
- Lançamentos médicos (medicamentos e fluidos)
- Assinaturas do supervisor
O capítulo 17 acrescenta que os perfis de descompressão das pessoas que entram e saem da câmara pela antecâmara (lock-in e lock-out) são anotados no registro da câmara. Esses são requisitos da Marinha; as operações civis seguem as próprias regras, mas a lista é uma boa referência.
OSHA, 29 CFR 1910.423(d). No mergulho comercial nos EUA, quando há suspeita de doença descompressiva ou aparecem sintomas, o empregador também deve registrar:
- Uma descrição dos sintomas, incluindo a profundidade e o horário de início
- Uma descrição do tratamento e dos seus resultados
Pelo §1910.440, o registro do mergulho é guardado por 1 ano, ou por 5 anos quando houve doença descompressiva. Os registros de hospitalização também são guardados por 5 anos.
Diving at Work Regulations 1997 (Grã-Bretanha), regulamento 6. A empresa de mergulho (diving contractor) deve garantir que seja mantido um registro da operação de mergulho para cada operação de mergulho, com os dados aprovados pelo HSE, e guardado por pelo menos dois anos após o último registro.
UHMS. No seu Hyperbaric Facility Accreditation Program (programa de acreditação de instalações hiperbáricas), os avaliadores examinam o estado do equipamento, a manutenção preventiva e corretiva, a documentação exigida e as práticas operacionais.
A especificação do seu cliente, o manual da sua empresa e o seu órgão regulador definem o conteúdo exato. As seções abaixo são um checklist de trabalho baseado nessas fontes. Para o restante da papelada diária, veja Registros do supervisor de mergulho.
O que documentar em cada sessão
1. Cabeçalho da sessão
- Identificação da câmara: nome ou número, tipo e número de série
- Local (embarcação, local de trabalho ou instalação) e data
- Finalidade da sessão, por exemplo descompressão na superfície, tratamento terapêutico, treinamento ou sessão de teste, ou uma transferência
- Referência do procedimento, escrita exatamente como informada pela pessoa que conduz a sessão. Não a reescreva com outras palavras e não a preencha por conta própria.
- O mergulho ou o evento que levou à sessão, se houver (o mergulhador, o mergulho, o horário em que ele chegou à superfície)
2. Pessoas
- Operador da câmara e supervisor responsável
- Cada ocupante, com a sua função: mergulhador, paciente ou acompanhante interno
- Auxiliares externos e qualquer outra pessoa no painel
- Pessoal médico consultado ou presente, e quando foi contatado
- Quem fez cada lançamento. Rubricas em cada linha tornam o registro confiável.
3. Horários, em tempo real
Escreva cada horário quando ele acontece, não depois:
- Início da pressurização
- Cada chegada a uma pressão prevista no procedimento, e cada saída dela
- Início da descompressão
- Câmara na superfície
- Cada entrada e saída pela antecâmara (lock-in e lock-out): quem, quando e a exposição à pressão da própria pessoa (o manual da Marinha pede esses perfis no registro da câmara)
4. Pressões como foram lidas
- Registre a leitura do manômetro com a unidade (msw, fsw ou bar manométrico) e de qual manômetro ela veio.
- Escreva o que o manômetro mostrava naquele momento. Não preencha leituras depois a partir do procedimento.
- Se uma leitura não foi feita, deixe a lacuna e diga isso. Uma lacuna honesta é melhor do que um número inventado.
5. Gás respiratório
- O gás fornecido e a sua origem, como as máscaras do sistema de respiração embutido (BIBS) ou a atmosfera da câmara
- Cada horário de início e de fim do gás, para cada ocupante quando forem diferentes
- Análise de gás, se os seus procedimentos exigirem
6. Eventos e observações
- Mudanças relatadas pelos ocupantes, com o horário
- Verificações de equipamento, falhas e problemas de comunicação
- Desvios em relação ao procedimento determinado, com quem decidiu e por quê
- As leituras do ambiente da câmara que os seus procedimentos pedem, como a temperatura interna
As observações clínicas e os lançamentos médicos são feitos pelo pessoal médico responsável, ou por instrução dele.
7. Encerramento
- Horário de fim da sessão e o estado dos ocupantes conforme informado pela pessoa responsável
- Assinaturas: o supervisor responsável, mais o resumo médico quando o procedimento o exigir
- Onde o registro é arquivado e por quanto tempo deve ser guardado
Vincule a sessão ao histórico de cada pessoa
Uma sessão de câmara é uma exposição à pressão para todos os que estão dentro, incluindo os acompanhantes. Se ela ficar só no registro da câmara, as pessoas envolvidas perdem parte do próprio histórico.
- Os mergulhadores devem ter a sessão lançada no seu logbook pessoal. O Professional Diver's Logbook da IMCA, por exemplo, cobre mergulhos, saúde e experiência de mergulho acumulada.
- Os acompanhantes internos também devem registrar a sua exposição. Eles também estiveram sob pressão.
- O mergulho anterior deve apontar para a sessão, e a sessão para o mergulho. Assim, quem ler qualquer um dos dois registros depois verá a sequência completa.
Papel ou digital: os mesmos princípios
Seja qual for o meio usado, o registro deve ser:
- Contemporâneo: escrito enquanto as coisas acontecem
- Sequencial: é possível acrescentar lançamentos, mas não removê-los discretamente, que é o objetivo das regras da Marinha de “sem folhas soltas” e de correção com uma única linha
- Atribuível: cada lançamento mostra quem o fez
- Guardado: pelo prazo que as suas regras definem
Um livro encadernado faz isso com tinta e rubricas. Um sistema digital precisa fazer isso com data e hora, identidade do usuário e trilha de auditoria. E também precisa continuar funcionando quando a embarcação está sem sinal.
Onde o DIVEOPS PRO se encaixa
O DIVEOPS PRO documenta sessões de câmara. Ele não prescreve nem calcula tratamentos. Três recursos são relevantes aqui:
Cadastro de câmaras e registros de sessões (Company Fleet). Você cadastra cada câmara com tipo, número de série e local. Uma sessão registra:
- A sua finalidade
- Uma referência de procedimento digitada pela pessoa que conduz a sessão. O DIVEOPS PRO nunca gera uma.
- O operador da câmara, o técnico de suporte à vida e o acompanhante interno
- Os demais ocupantes, por nome
Um registro de eventos com data e hora. Um toque registra eventos como:
- Início da pressurização
- Início e fim do gás respiratório
- Transferência para dentro e para fora
- Início da descompressão
- Câmara na superfície
As leituras do manômetro são digitadas à mão em msw (manométrico), junto com notas de observação, de verificação de equipamento e de desvio. Se o seu manômetro lê em fsw ou bar, escreva também a leitura original e a unidade na nota. O gráfico de pressão é desenhado apenas a partir das leituras que você registra. Cada evento traz o horário em que foi registrado e o nome do operador da sessão, não o nome de quem digitou; por isso, acrescente rubricas na nota se os seus procedimentos as exigirem. Tudo funciona offline e é sincronizado quando a conexão volta.
Aprovação e vínculo da exposição. Uma sessão só pode ser encerrada com um nome digitado e uma função: supervisor de mergulho, supervisor de câmara, médico de mergulho ou superintendente. Isso é uma aprovação registrada, não uma assinatura desenhada nem a tinta; por isso, mantenha também em papel qualquer assinatura que os seus procedimentos exijam. Depois do encerramento, o app não aceita mais lançamentos. Se a pessoa que registra a sessão se marcar como ocupante, a sessão é acrescentada ao seu próprio registro de exposição, no qual adulterações podem ser detectadas. Os registros de exposição dos outros ocupantes não são atualizados a partir dessa conta.
O Commercial Pro também inclui registros de exposição em câmara para mergulhadores individuais. Veja na página de preços o que cada plano inclui.
Experimente na sua próxima sessão
As empresas de mergulho podem testar juntos o módulo de câmara, o console do supervisor e os registros de projetos. Veja como ele se encaixa na sua operação na página para empresas de mergulho. As contas novas começam com 30 dias de teste grátis de todos os recursos, então você pode documentar algumas sessões de treinamento antes de decidir.
Perguntas frequentes
O que o registro da câmara deve conter em cada sessão?
No mínimo, o que o seu órgão regulador, o seu cliente e os procedimentos da sua empresa exigem. Exemplos publicados, como a lista do U.S. Navy Diving Manual, cobrem a identificação das pessoas dentro da câmara e dos auxiliares, os horários de cada etapa da sessão anotados em tempo real, os horários de início e fim do gás respiratório, os eventos e as mudanças relatados pelos ocupantes, a temperatura interna da câmara, os lançamentos médicos feitos pela equipe médica e as assinaturas do supervisor.
Este artigo diz qual tabela de tratamento usar?
Não. Os tratamentos são escolhidos e conduzidos por pessoal médico e hiperbárico qualificado, de acordo com o protocolo aplicável. Este artigo trata apenas de como documentar uma sessão, não de como a sessão deve ser.
Por quanto tempo os registros da câmara devem ser guardados?
Depende das regras sob as quais você trabalha. A Revisão 7 do U.S. Navy Diving Manual diz que os registros da câmara de recompressão são guardados por três anos após a data do mergulho. A OSHA 29 CFR 1910.440 define prazos de guarda para os registros de mergulho comercial nos EUA, e as Diving at Work Regulations 1997 da Grã-Bretanha exigem que os registros da operação de mergulho sejam guardados por pelo menos dois anos após o último registro. Siga as regras que se aplicam à sua operação.
Por que vincular uma sessão de câmara ao registro pessoal do mergulhador?
Uma sessão de câmara é uma exposição à pressão para todos os que estão dentro, incluindo os acompanhantes internos. Vincular a sessão ao histórico de mergulho de cada pessoa mantém completo o registro de exposição dela. Também liga a sessão ao mergulho que veio antes, como uma descompressão na superfície ou um incidente.
Fontes
- U.S. Navy Diving Manual, Revision 7 (SS521-AG-PRO-010, 1 December 2016, approved for public release), Vol. 1 §5-5 Recompression Chamber Log and Vol. 5 Ch. 17 — copy hosted by Arizona State University; NAVSEA later issued Revision 7 Change A (30 April 2018)
- OSHA 29 CFR 1910.423 — Post-dive procedures (record of dive)
- OSHA 29 CFR 1910.440 — Recordkeeping requirements
- The Diving at Work Regulations 1997, regulation 6 (legislation.gov.uk)
- UHMS — Hyperbaric Facility Accreditation
- IMCA — Professional diver's logbook
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